Marilin Gonzalo é jornalista na Jefa de Producto. O QUE A LEVOU A COMEÇAR A TRABALHAR COM PUBLICAÇÃO DIGITAL/MÍDIA? Durante meu último ano de universidade, eu trabalhava em todos os tipos de mídia tradicional (TV, rádio e imprensa escrita) e comecei a mexer com computadores e internet. Pouco depois, os blogs pessoais começaram a bombar e eu simplesmente não conseguia entender por que os jornalistas não estavam na internet; era um ambiente tão ideal para publicar o que se quisesse. Poucas pessoas sabiam o que era a internet naquela época, e nos viam como uma espécie de esquisitos mimados que só queriam se divertir. E eu me diverti mesmo. Passei horas, dias e meses sentada em frente às telas aprendendo novas habilidades e, basicamente, descobrindo que era possível fazer muita coisa ali sem precisar pedir a um editor para publicar algo. Essa foi a minha maneira de entender a mídia quando eu não tinha contatos ou mentores na mídia impressa tradicional ou quando a mídia digital estava apenas começando na Espanha e na Argentina. Essas publicações foram fundadas por pessoas como eu, que acreditavam que deveria haver uma nova maneira de fazer jornalismo na era da internet, longe dos velhos clichês e com vontade de experimentar e testar novos formatos. COMO É UM DIA TÍPICO PARA VOCÊ? Não tenho um dia típico, pois minhas funções variam. Muitos dias são repletos de reuniões com o diretor, o editor, o gerente de publicidade, os desenvolvedores e designers, ou pessoas de fora da redação, com quem trabalhamos em novos projetos. Bem cedo pela manhã, sempre leio as notícias — isso acontece desde a adolescência —, enquanto ouço rádio e tomo café da manhã. Quando termino, tenho uma lista de tarefas para realizar com a nossa equipe naquele dia. Também estou em constante comunicação com os desenvolvedores e a redação, pois conversamos muito com o diretor e o editor-chefe sobre a forma como abordamos as informações diariamente e como continuar aprimorando a qualidade do nosso produto. Estou sempre encarregado de buscar a melhor experiência para os nossos usuários e de implementar as melhores práticas jornalísticas para os nossos redatores e editores. Também analiso as métricas da nossa audiência, elaboro relatórios e recomendo estratégias para melhorar o tráfego e alcançar novos usuários. Isso implica testar softwares e serviços e, geralmente, conversar com pessoas de outras empresas para fechar acordos e ver como podemos trabalhar juntos. Sou jornalista e nunca deixarei de ser, então, quando encontro um assunto interessante, faço entrevistas e escrevo artigos de vez em quando. Acho fundamental que os profissionais de produto em empresas de mídia sejam jornalistas e tenham trabalhado como jornalistas para que possam compreender a essência do que é um jornal e sua relação com as pessoas. COMO É SEU ESPAÇO DE TRABALHO? (SEUS APLICATIVOS, FERRAMENTAS DE PRODUTIVIDADE, ETC.) Venho testando novos aplicativos e ferramentas há anos e acho que aprimorei bastante meus processos. Normalmente, o que funciona para você não precisa ser o aplicativo de produtividade mais recente, mas sim aquele que você consegue usar com maestria. Atualmente, trabalho bastante com e-mail e documentos, e usamos o Google Workspace (antigo Google Workspace) na nossa empresa. Também uso dois ótimos aplicativos, o nvalt e o Simplenote, para fazer anotações com suporte a Markdown. Uso o Pocket e o Pinboard para ler e salvar links úteis, o Telegram, o WhatsApp, o Mattermost e o Signal para mensagens e grupos; e o Trello para gerenciar alguns projetos. As ferramentas de produtividade que uso dependem principalmente do projeto e da equipe com a qual estou trabalhando, mas essas são as que uso há bastante tempo. O QUE VOCÊ FAZ PARA SE INSPIRAR? Meu segredo são os livros. Leio muito sobre diversos assuntos, não apenas não-ficção, que são meus favoritos, mas também tento me perder em ficção e outros temas não relacionados ao trabalho. Acredito que devemos manter a curiosidade sobre outras realidades. Também assisto (muitas) séries de TV e vou ao cinema. Quando estou com bloqueio criativo, ainda me surpreendo com o milagre que uma pedalada de meia hora pode fazer. QUAL É SEU TEXTO OU CITAÇÃO FAVORITA? Bem, essa é difícil, porque são muitas. Um dos livros que mais gostei de ler este ano foi "O Poder", de Naomi Alderaan, na categoria ficção. É um romance incrível sobre um futuro utópico, escrito com muita sensibilidade para o que está acontecendo no nosso mundo hoje, com mulheres, homens e gerações. Uma citação que adoro é esta de Alice no País das Maravilhas: "Alice: Quanto tempo dura o para sempre? — Coelho Branco: Às vezes, apenas um segundo." QUAL A COISA MAIS INTERESSANTE/INOVADORA QUE VOCÊ JÁ VIU EM OUTRO VEÍCULO ALÉM DO SEU? Em relação ao design, gosto muito do visual moderno que vemos em publicações como The Outline, e da forma como eles integram a publicidade, fazendo com que ela se destaque sem interferir na usabilidade do site. Em relação à inovação, acho muito inovador o que o pessoal do Politibot, na Espanha, está fazendo com bots e jornalismo. QUAL É O PROBLEMA QUE VOCÊ ESTÁ ENFRENTANDO COM PAIXÃO NO MOMENTO? Em redações pequenas como a que estou agora, o grande desafio é continuar elevando nossos padrões de jornalismo sem perder audiência. Também acho que os empresários precisam realmente entender a essência de um jornal, compreender o verdadeiro valor de uma empresa de mídia para vendê-la melhor, e os jornalistas precisam entender o tipo de indústria em que estamos inseridos; e trabalho todos os dias com esse objetivo em mente. É nessa interseção que o futuro da mídia está sendo construído. VOCÊ TEM ALGUM CONSELHO PARA PROFISSIONAIS AMBICIOSOS DE PUBLICAÇÃO DIGITAL E MÍDIA QUE ESTÃO COMEÇANDO AGORA? Mantenham a curiosidade e continuem aprendendo, tudo será útil a longo prazo. Conversem com muitas pessoas e não tenham vergonha de fazer perguntas. Este mundo está em constante mudança e uma mente rígida não tem lugar nele. Acima de tudo, respeitem o leitor (ou sua audiência) e considerem-nos pessoas tão inteligentes quanto vocês se consideram. Esse é sempre o caminho certo.
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