Vivian Afi Abui Dzokoto, Universidade da Comunidade da Virgínia e Annabella Osei-Tutu, Universidade de Gana
Se você quiser saber como um país encara as doenças mentais, observe como a mídia aborda o assunto. Essa é a visão de alguns estudiosos que discutir que jornais, televisão e rádio influenciam ideias negativas sobre saúde mental. Outros sugerir Na verdade, é o contrário: a mídia apenas reflete o que a sociedade já acredita. Com esses debates em mente, quisemos explorar o papel que a mídia impressa de Gana desempenha na formação da opinião pública e na disseminação de conhecimento sobre transtornos mentais. Para isso, nós estudamos Artigos sobre saúde mental publicados em jornais do país entre 2000 e 2015. Houve diversos avanços na área da saúde mental em Gana durante esse período, principalmente em termos de da legislaçãoNossa análise sugere que os jornais de Gana, em geral, têm feito um bom trabalho ao noticiar sobre saúde mental. Muitos artigos demonstraram um compromisso em educar os leitores sobre o assunto. Os artigos também destacaram como as pessoas com transtornos mentais ainda são estigmatizadas na sociedade. Nossos resultados são encorajadores, considerando o papel crucial que a mídia desempenha na informação e educação das pessoas. No entanto, houve áreas de preocupação. Em alguns casos, constatamos que os jornais não estavam divulgando informações precisas sobre saúde mental. Isso precisa ser abordado. Talvez especialistas em saúde mental pudessem ser levados às redações de Gana para treinar jornalistas sobre como noticiar os assuntos relevantes. Esses especialistas também poderiam ser melhor aproveitados como recursos para a verificação de fatos.
Vivian Afi Abui Dzokoto, Professor adjunto, Universidade da Comunidade da Virgínia e Annabella Osei-Tutu, Professor Sênior e Psicólogo Clínico, Universidade de Gana
Este artigo foi republicado de A conversa sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.
O que descobrimos
Escolhemos jornais porque eles são uma fonte popular de informações para os ganeses. Trabalhando com 164 artigos de seis jornais ganeses – The Chronicle, Daily Graphic, Ghanaian Times, Mirror, Spectator e Times Weekend – conseguimos identificar diversos temas relacionados à saúde mental. Esses temas foram: conscientização, defesa, opinião, suicídio, doações (e financiamento) e religião. Aqui está o que descobrimos. Conhecimento: Os artigos desta categoria buscavam fornecer informações sobre transtornos mentais e opções de tratamento disponíveis. O problema é que alguns faziam afirmações falsas ou identificavam erroneamente problemas de saúde mental. É importante ressaltar que apenas 1,8% dos artigos em nossa amostra continham informações incorretas. Ainda assim, é um problema que precisa ser abordado. Em um artigo intitulado "Isso está me matando aos poucos", uma colunista de aconselhamento respondeu a um pedido de ajuda para lidar com a timidez extrema em relação a mulheres. Embora o conselho da colunista desafiasse o leitor a interagir com mulheres, ele não reconheceu as implicações para a saúde mental – principalmente a ansiedade. Defesa de direitos: Os artigos desta categoria visavam mobilizar o apoio público em torno das políticas de saúde mental. Um exemplo, “A população do Gana em sofrimento psicológico”, defendeu a implementação da Lei de Saúde Mental do Gana. Esses artigos destacaram as barreiras à implementação de políticas de saúde mental e os entraves administrativos que impedem a expansão dos serviços de saúde mental. Opinião: Esses artigos ofereciam a perspectiva de um escritor sobre questões de saúde mental. Um exemplo foi um artigo de opinião sobre uma investigação em andamento sobre hospitais psiquiátricos. Ele mostrou como os jornais podem ser usados como plataforma para fornecer comentários sociais sobre assuntos relacionados à saúde mental e para lembrar os leitores de que a doença mental faz parte do cotidiano. Os artigos de opinião também ilustraram o papel da imprensa em responsabilizar as agências públicas por questões que, de outra forma, seriam suprimidas. Suicídio: A maioria dos artigos nesta categoria eram reportagens investigativas que identificavam as vítimas e as supostas circunstâncias que levaram ao suicídio. Outros artigos visavam conscientizar sobre o suicídio. Também constatamos que os colunistas desempenhavam um papel importante na vida de seus leitores como autoridades no assunto. Por exemplo, um leitor anônimo escreveu para uma colunista de aconselhamento dizendo que sentia vontade de se suicidar porque não conseguia sustentar financeiramente seus sêxtuplos recém-nascidos. A colunista ofereceu recursos e serviços úteis ao leitor. Em conjunto, esses artigos ilustraram a realidade do suicídio Em Gana. Doações: Um subconjunto de artigos relatou doações de indivíduos e organizações para hospitais psiquiátricos. Essas doações incluíram tempo, dinheiro ou serviços em espécie. A tendência da filantropia local refletiu a baixo financiamento A disponibilidade de recursos para apoiar o funcionamento de hospitais psiquiátricos, o reconhecimento público dessa lacuna de financiamento e a disposição do público em fornecer recursos são fatores essenciais. Religião: Outros artigos exploraram o cristianismo como um meio de autocuidado em saúde mental. A intersecção entre religião e bem-estar mental não é surpreendente, visto que muitos ganeses são religiosos.Lições
Certamente, esta não foi uma análise exaustiva das fontes de conhecimento público sobre saúde mental em Gana. Pesquisas semelhantes poderiam se concentrar na cobertura radiofônica ou televisiva, por exemplo. Dito isso, ela fornece um ponto de partida útil para entender o tipo de mensagem que muitos ganenses recebem sobre saúde mental. A análise poderia ser usada para levar jornalistas e veículos de comunicação a repensarem a forma como abordam esses assuntos e a preencherem as lacunas onde necessário. Nota da autora: As alunas de pós-graduação Alexis Briggs e Christina Barnett contribuíram para este artigo e para a pesquisa na qual ele se baseia.Conteúdo de nossos parceiros








